sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mais uma história de Amor..




Mais uma história de Amor - Tatiane Silva

Essa não deveria ser mais uma daquelas paixões como tantas outras que se perderam no caminho... Foram tantos os apaixonados que não viveram o desfecho de suas historias e não souberam se o “The End” teria ou não um final feliz. Foram tantas as palavras, desejos e carinhos que ficaram no caminho, e por lá estão perdidas até hoje. Ah! Como eu queria que todas aquelas nossas palavras ditas, todos aqueles carinhos que fizemos e todos os desejos que sentimos não fossem mais um daqueles sentimentos que se perderam.
Nessa história conheci os planos mais diversos da paixão. Já perdi todas as esperanças e sem motivo algum elas ressurgiram do nada. Já senti o fel da raiva, que não durou mais de cinco segundos. Saboreei o gosto da saudade saciada e também já morri sentindo ela. Tive o desprazer de conhecer o ciúme em suas diversas roupagens, mas já tive a alegria como recompensa. Tive o prazer e o desejo como companias, mas também presenciei a visita da decepção e da tristeza. Já pequei, acertei, ri, chorei, gritei, desisti e depois voltei atrás...
Precisei te conhecer a fundo, baseada apenas nas minhas suposições imaginadas. Não sabes, mas percorri as profundezas da tua alma, somente para desvendar teus mais sublimes segredos. Isso tudo, só para ser aquela que te faria mais feliz, que te daria um cheiro gostoso naqueles dias frios que o coração aperta carente, aquela que te faria um carinho te deixando mais tranqüilo, aquela que te daria um beijo molhado que te fizesse sentir todo o prazer do mundo, aquela que faria um amor com o desejo mais profundo e que depois, deitada ao seu lado, te fizesse ter a certeza de que aquele momento foi único, vivido somente por nós e ninguém mais.
Sabe...ainda sou aquela que deseja verdadeiramente te fazer feliz, que quer deixar teus dias mais brilhantes, apaixonados, emocionantes, e também engraçados, por que não?
Continuo ainda, sendo aquela que encostaria a cabeça no teu peito e te faria ter a certeza de que amanhã tudo seria maravilhoso novamente. Sou aquela que quer dizer bem baixinho no teu ouvido: sou sua e de mais ninguém!
Saiba, que sou aquela que, se teu coração desse licença, estaria nos teus mais divinos planos de amor, e que faria deles mais perfeitos, tornaria-os mais intensos, loucos, apaixonados e únicos.
Tô começando a achar que eu sou aquela que nasceu somente para te amar...não duvido!
Foram tantos os momentos, as palavras de carinho, os olhares verdadeiros, os beijos que se tornaram eternos, músicas que serviram de fundo, só para tornar aqueles momentos mais perfeitos na hora de serem lembrados.
Não tem como negar: nessa história já fazemos parte um do outro. Deixamos marcas dos mais intensos momentos, que soubemos unicamente fazê-los soberanos, só para morarem em nossos corações.
Que minhas palavras conduzidas sob o efeito alucinado e tolo da paixão não terminem por aqui. Queira que esta não seja mais uma paixão que se perdeu...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A LEI DA SEMENTE






"Vamos começar com a lei da semente: "Faça a colheita depois de ter plantado."
É preciso preparar o solo, regar a semente (esforço), esperar um tempo (paciência) e depois colher o feijão. Esforço+paciência=resultado.

Muitas vezes as pessoas não entendem esse princípio. E perguntam: "Se eu plantar feijões hoje, o que receberei amanhã?" E a resposta é: "Sementes de feijões molhadas."

A lei da semente diz: "Plante hoje e colha ...MAIS TARDE."

Plante o feijão agora e faça a colheita daqui a quatro meses.

Se as pessoas cultivassem sua própria comida, provavelmente entenderiam melhor esse conceito. Mas nós vivemos na era do macarrão instantâneo."
Extraido do livro: "Siga seu Coração", de Andrew Matthews.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Viciados em malhação, Tatiane Silva.


Rafael: “Se não faço meus exercícios fico de mau- humor”.
Espelho, espelho meu, existe alguém mais forte do que eu?

O vício da academia ainda é visto por alguns como excesso de vaidade, no entanto, trata-se de uma doença e precisa ser tratada logo.

Todos os dias, de segunda a sexta, são sagrados para Rafael Corrêa, 20, os exercícios físicos que pratica numa academia no centro de Florianópolis. Até aí tudo bem, se não fosse um detalhe: a mudança no humor quando não pode ir malhar. Só de pensar em ficar longe dos aparelhos de musculação por mais de 48 horas, o adolescente fica irritado, "Passo mal o dia que não malho", conta Rafael.
Ele lembra bem o dia em que a recepcionista do local onde treina, teve que negar um pedido do seu freqüentador mais assíduo: as chaves do estabelecimento. “A academia ia ficar fechada no feriado, e eu não queria interromper meu treino”, recorda.
Rafael sabe bem que toda essa ansiedade para não perder um dia sequer de malhação tem nome: Vigorexia. Conhecida também como Síndrome de Adônis, a doença se esconde por trás de um hábito aparentemente saudável: a prática de exercícios físicos.

Ditadura de beleza
A busca incessante por um corpo perfeito fez surgir nas últimas décadas na sociedade moderna, inúmeros casos de transtornos emocionais, relacionados à imagem corporal. Entre os mais conhecidos estão os de hábitos alimentares: Anorexia e Bulimia. Já a Vigorexia, catalogada como Transtorno Dismórfico Corporal, caracteriza-se principalmente pela supervalorização de uma silhueta perfeita e o esforço desmedido do indivíduo para alcançá-la.


“Deixei de ir ao enterro do meu tio para ir à academia”
Cancelar compromissos para ir à academia não é uma atitude incomum para os vigoréxicos. O fisiculturista Roberto Adilson da Silva, 34, sócio de uma academia em Barreiros, recorda-se do dia em que trocou um compromisso para poder ir malhar, “Deixei de ir ao enterro do meu tio para ir à academia”, conta. Para alguns essa atitude representa um exagero, já para o fisiculturista trata-se somente de um hábito com muita disciplina.
Para os vigoréxicos priorizar os treinos diários é quase uma lei. E foi dessa maneira que o adolescente Rafael recusou uma oferta de emprego, “Desisti porque teria que trabalhar oito horas e não sobraria tempo para academia”, justifica.

O espelho: de aliado a inimigo
Mais comum em homens do que em mulheres, uma das características da Vigorexia é a insatisfação do indivíduo com o próprio corpo. Mesmo com a musculatura avantajada, ele não se satisfaz com o que vê diante do espelho.
O fisiculturista Roberto conta que, mesmo com todo o volume de músculos que possui (ele é bem forte), quer aumentá-los ainda mais. A referência que tem para alcançar sua meta é o lendário ex-fisiculturista britânico Dorian Yates e americano Ronnie Colleman (ambos com vários títulos consagrados em campeonatos de fisiculturismo).

A doença predomina entre os homens
Segundo o psiquiatra Luiz Rath, de Florianópolis, apesar de não existirem dados estatíscos a respeito do assunto, acredita-se que o número de casos venha aumentando, principalmente entre indivíduos do sexo masculino. Para ele, as pessoas ainda desconhecem a vigorexia como uma doença, chegando acreditar ser um hábito saudável. “Aparentemente trata-se apenas de exercitar muito os músculos, ficando encobertos os aspectos patológicos da obsessão”, salienta o psiquiatra.

Conforme Rath, a doença se manifesta em pessoas inseguras, de baixa auto-estima, que se preocupam excessivamente com o julgamento dos outros e que acabam por supervalorizar os cuidados com o corpo.

As conseqüências da vigorexia vão além do que se imagina. Isolamento, falta de interesse sexual, desgaste físico e mental, falta de apetite, irritabilidade e cansaço estão entre alguns dos prejuízos que a doença traz.
O tratamento, segundo Rath é feito através da psicoterapia cognitiva, um recurso onde o profissional ajuda o paciente a identificar as áreas emocionais e sociais que estão afetando no dia-dia, ou em situações especificas. E em alguns casos é feito uso de medicação antiobsessiva.

Ainda não se sabe quais as causas para este tipo de comportamento obsessivo, mas segundo o psiquiatra certamente estão envolvidos fatores sociais, como a atual cultura do corpo “sarado”, associados a uma insegurança e vulnerabilidade pessoal para as exigências da sociedade.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Entrevista com o árbitro Margarida


Um estilo Margarida de ser
por Tati Silva

O árbitro palhocense de trejeitos afeminados que leva diversão aos estádios do Brasil a fora

Clésio Moreira dos Santos, o árbitro Margarida, desabrocha – literalmente – quando está em campo. Suas performances acrobáticas já foram vistas por várias pessoas no mundo. E o seu reconhecimento em dezessete países tem uma explicação: ao arbitrar os jogos de futebol com o seu irreverente “passo de gazela”, vestido da cabeça aos pés com um uniforme totalmente cor-de-rosa, Margarida arranca risadas e conquista a simpatia de todos, em qualquer estádio de futebol que se atreva a pisar.


Um jeito bem diferente de apitar

Da sua entrada no campo até o final da partida, tudo é minuciosamente coreografado. O início do jogo é anunciado com o som de um apito descontrolado e os dedos indicadores apontados para cima sinalizam que mais um jogo vai começar. Opa! Falta cometida! Com o dorso empinado, um braço apontando para o céu e outro para o gramado, Margarida indica onde a infração do jogador foi cometida. Na hora de dar um cartão para os atletas, ele lembra uma mola daquelas de brinquedo, se contorcendo para trás, colocando o cartão quase no nariz dos jogadores, na subida de volta.

Não foi à toa que a mídia brasileira se afeiçoou a ele. Até a apresentadora Ana Maria Braga e o Programa Vídeo Show, ambos da TV Globo, quiseram conferir de perto e entrevistar o árbitro palhocense que percorre o estádio em saltitantes passos largos.

Aos 48 anos de idade, casado, pai de três filhos e formado pela Federação Catarinense de Futebol desde 1988, Clésio conta que resolveu criar o personagem Margarida inspirado em três árbitros. A mistura de Jorge Emiliano, o Margarida Carioca, surgindo daí o nome artístico de Clésio, com o paulista Roberto Nunes Morgado (ambos falecidos) e o blumenauense Almir Renzi resultou, em 1994, nessa hilária figura cor-de-rosa que hoje conhecemos.

Críticas não faltaram quando Clésio iniciou sua carreira com o personagem. Os colegas diziam que o árbitro Margarida não tinha futuro e pediam para que desistisse daquela bobagem. Mas o árbitro não deu ouvidos a eles. Seguiu com sua idéia e hoje profetiza dizendo que sua missão aqui na Terra é levar alegria às pessoas.

Quando o assunto é futebol...

Clésio confessa ser um fanático pelo clube carioca, o Flamengo, e ainda revela sua preferência pelo time do município, o Guarani de Palhoça. Mas quando se trata de driblar a bola com os pés, ele dispara: “sou um zero à esquerda jogando futebol”. Difícil de acreditar, mas o árbitro que vive do futebol diz não ter paciência para sair de casa e assistir a uma partida, reforçando a velha máxima que diz: “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Um show de arbitragem

Em 2006, o árbitro teve que se afastar da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), por ter completado a idade de 45 anos, estabelecida pela confederação como limite para atuar. De lá para cá, ele vem fazendo sucesso em vários países com a arbitragem-show de Margarida.

Atualmente, é colunista esportivo em três jornais, tem a agenda cheia de viagens marcadas, inclusive com uma para o México, onde irá participar da Copa Caribe. Depois seguirá para China, Alemanha e Portugal.

Apesar de já ter conhecido muitos lugares, o árbitro afirma que Palhoça não deixa nada a desejar no que diz respeito às belezas naturais e admite já ter recusado algumas propostas para deixar o município. Garante que será muito difícil alguém conseguir convencê-lo a abandonar a cidade pela qual é apaixonado.


O pão de cada dia, por Tati Silva



“Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E, no entanto, morre quem não come, e quem não come
O suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe permitido se defender” (Quem Se Defende – Bertold Brecht)


Andava rapidamente, quase que correndo. Tinha pressa. Não teria que chegar a lugar nenhum, até por que já estava em nenhum lugar. Não tinha rumo, mas sabia que tinha pressa. Aquela situação parecia incandescer o coração do pobre rapaz. Sem olhar para os olhos da garota, que parecia estar preocupada com o horário no ponto de ônibus, ele agiu. Igual um trem bala, o rapaz arrancou-lhe a bolsa e sumiu na primeira esquina.
Os gritos e o choro não tocaram o coração dele. Inconsolável e assustada a moça sentou-se na calçada não acreditando no que tinha lhe acontecido. Em menos de trinta segundos as pessoas começaram a surgir oferecendo apoio. Mas trinta segundos antes não tinha ninguém. É sempre assim!
O hábil e ligeiro rapaz já devia estar bem longe. Aquela situação parecia ser comum para ele. Afinal de contas, tudo foi feito com tanta naturalidade e frieza. Nem ao menos olhou nos olhos daquela garota.
Fico tentando adivinhar o que motivou aquele “foguete” - parecia de tão ligeiro - a fazer aquilo. Todos devem imaginar o pior do garoto. Mas o motivo que o levou a fazer fica por último diante de tanta indignação. Ontem, no ônibus do primeiro horário, quando me acomodei no assento e olhei na janela dei de cara com o rapaz. Assustei-me, pensei que ele agiria de novo, mas não. Ele trazia debaixo de um dos braços um saco de pão e um litro de leite. E no outro, pelas mãos, uma garota bonitinha, com o nariz todo sujo de ranho, que gritava miúdo chamando-o de papai.