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domingo, 25 de julho de 2010

Lições que só se aprende sozinho



As lições mais importantes que aprendi nessa minha vida não foram ensinadas por ninguém. Precisei aprender sozinha. Tem uma frase que diz: “Ou aprende pelo amor ou pela dor”. Vou lhes dizer que aprendi a maioria pela dor. Só sentimos verdadeiro prazer por alguma coisa, quando sabemos quão é amargo o oposto daquilo. Explico: Você só vai saborear com prazer e deleite um refrescante copo de suco, se você sentiu sede antes de bebê-lo. Acho que aos poucos consigo me fazer entender. Você deve estar compreendendo. Escutei muitos ensinamentos, mas os que mais me ensinaram foram aqueles os quais precisei receber um tapa. É por que um tapa a gente nunca não esquece.
É claro, as teorias de aprendizados alheios também contam muito. Soma-se a isso os tapas que você levou da vida, mais a lições das experiências vividas por outras pessoas, então temos como resultado o amadurecimento. É. Bem ele.
Umas das lições que a vida me ensinou foi a ser mais humilde. E olha que eu pensava que era. Que engano. Humildade vai muito mais além do que se pensa. Não é ser simpática e distribuir sorrisos por aí. Mas sim ter sutileza e delicadeza para ouvir críticas e não se magoar com elas, e, mais importante, saber usá-las como abastecimento para o seu depósito de experiências, que mais tarde terá um majestoso nome e se chamará Maturidade. Humildade é saber que você nunca está 100% certa em nenhuma situação. Sempre tem uma parcela de culpa. Se determinada situação chegou a um certo ponto, acredite meu amigo, você tem 50% de culpa, se não 100%. É. Humildade é uma característica que vai muito mais além. É saber reconhecer que uma pessoa, mesmo tendo um grau de instrução menor que o seu, ou uma realidade sócio- econômica diferente da sua, pode ter ideias surpreendentes e lições de vida muito mais importantes. Ainda hoje não sou humilde como deveria, mas reconheço que tenho humildade para reconhecer isso.
Nessa minha vida aprendi pouco, mas foram aprendizados de muito valor.

Por Tatiane.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Felicidade de comercial

Eu vi uma criança correr e um pai equilibrar sua pequena filha, ensinando-a a andar de bicicleta...
Também vi um casal de passarinhos voar de um banco para o outro, emitindo um canto celestial...
Vi o cachorro em latidos correr de seu dono;eles que levam seus pequenos bichanos para exercitar seus músculos...
Vi um casal namorando, olhando o mar e fazendo planos para o futuro...
Vi o tio vendendo caldo de cana, meninas emitindo gritinhos ao tentar manobras mais difíceis de patins...
Vi pais aproveitando seu famigerado tempo ao lado dos filhos. Uns sentados em improvisadas cadeiras de praia, outros no banco...
Vi uma profusão de barulho e tipos de gente...

E era barulho de felicidade. Tinha cheiro de comercial de margarina. Todos felizes. Parecia mentira, que a qualquer instante alguém iria me chamar e me acordaria, ou que dentro de alguns segundos o próximo comercial passaria.
Em meio ao caos urbano que vivemos, dá um prazer inestimável saber que, ainda existe condições de viver momentos como estes...

Eu vi tudo isso cheia de esmero...senti a felicidade em seu ápice, numa singela tarde de domingo, em uma simples caminhada, no Parque de Coqueiros...


Tatiane (dando uma de poeta).

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quero-quero rima com pernas pra que te quero

O braço dói, as pernas também doem e os ombros eu mal consigo levantar. Mas antes de prosseguir, preciso dar algumas explicações sobre um passáro chamado Quero-quero.


O Quero-Quero, conhecido também como Terém-terém e Espanta-boaida - esse último você já vai entender o porquê - habita grandes campinas úmidas e os espraiados dos rios e lagoas. Possui dois esporões com cerca de 1cm em cada asa, é uma ave pequena e caracteriza-se pelo colorido em tons cinza e o ornato na cabeça. É briguenta e se transforma num verdadeiro galo de briga quando percebe algum intruso próximo ao seu ninho, que costuma ser feito no chão. Em alguns parques fabris eles costumam ser usados como cães de guarda. É comum encontrá-los em jogos de futebol devido ao terreno dos campos.

Quem dera eu tivesse em mãos todas essas informações antes de ser eu, uma intrusa, num território de Quero-quero. Essa história vocês já vão saber. Trata-se de um Quero-quero que botou para correr este ser desinformado da sua existência e que vos escreve. Durante cerca de alguns intermináveis segundos me transformei numa maratonista de primeira.


Domingo. Praia da Pinheira, tarde cinzenta. Vento.

O passeio pelas ruas próximas à praia estava transcorrendo tranquilamente. Eu e minha mãe observávamos as casas e suas arquiteturas. Conversa vai, conversa vem, casa vai, casa vem, vira esquina daqui, vira esquina dali, eis que um vulto pesado atravessou sorrateiramente meu lado esquerdo, bem na altura do meu ouvido. Susto. Saltei num pulo para o outro lado. Quando pude identificar o que era, fiz um inocente comentário: - Olha, mãe, que passáro folgado (Mal sabia eu, que na visão da ave, a folgada era eu). Num ato contínuo e habilmente ligeiro, o animal fez uma curva, e num voo rasante e veloz veio em nossa direção. Sobrevoou nossas cabeças, seguiu pela esquerda pronta para mais uma manobra digna de ser imitada pela Esquadrilha da Fumaça. Até que minha mãe dispara assustada: -Acho que esse bicho quer pegar é a gente. Cooooorreee...!


Pernas pra que te quero. Parecíamos um bonecão do posto (aqueles de gasolina) correndo com os braços balançando para acima tentando evitar que o passáro nos atacasse. Como ele vinha em voos baixos, tinhamos que correr, abaixar e espantar-lhe com as mãos. Tanto movimento assim, não era de se estranhar que um estrondoso tombo estaria prestes a acontecer. Foi bonito de ver, ou melhor, ridículo de se ver. Aterrisei com tudo no chão. Senti o gosto do barro na boca e um peso pungente sobre meu corpo. Era minha mãe desabada sobre minha pessoa.

Nos levantamos rapidamente e nem nos atrevemos olhar para trás para ver onde estava a ave. Continuamos nossa saída em disparada. Num terreno seguro, olhamos para trás e nada se via além de um horizonte poerio e o cenário dessa odisseia assustadora, se não fosse ridícula demais. Rsrs.


Me admirei ao encontrar no Youtube cenas de ataques de Quero-quero.






Tatiane.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A viagem para um lugar que ninguém foi, nem vai

A presença do professor na sala de aula já a estava irritando. As horas no relógio mais pareciam andar para trás. Paciência era uma palavra que, realmente, não existia no dicionário daquela mulher naquele dia.

Ela sabia, ou pensava que sabia, o motivo daquela angústia. Uma sangria desatada. Lembrava de todas as suas investidas e tentativas nos últimos tempos. A voz do professor mais parecia a de um monstro na tecla 'slow'. Juntou seu material, pegou a bolsa, o guarda-chuva caído no chão, pediu licença, desejou boa noite aos que estavam na sala, e se retirou.

Que alívio! - pensou. Era do ar fresco noturno que ela precisava.
Avistou a igreja, e pensou que bem que ela poderia estar aberta naquele horário - já passava das 21h - para que pudesse ter aquela conversinha, que parecia que não havia surtido efeito, com a santa daquela paróquia.

Passada a boa sensação da brisa no rosto, os pensamentos torturantes que a deixava exaustiva de tanto matutar novamente vieram à tona.

O que não sabia era o que queria de fato. As coisas vinham melhorando. Havia conseguido o emprego, tão difícil para uma recém-formada. Mas aquele vazio voltava de novo.

Agora ela sabia. Aqueles meses indo à terapia tinham que dar em algum lugar. Ela queria só saber quem ela era. Já não sabia mais. Uma simples pergunta como essa tornou-se uma verdadeira tormenta.

Tanto tempo passou tentando ser o que tinha que ser, e esqueceu-se de ser ela. Não era mais ela.

A brisa de novo soprou. O sinal verde abriu para os pedrestes. Atravessou. Procurou sentar em algum banco do ônibus que houvesse mais claridade. Talvez a luminosidade clareasse as ideias dela.

Absorta em meio aos seus pensamentos, ditraiu-se ao perceber que meio que de espreita um olhar virava-se na direção dela, hora e outra. Era um rapaz. Bem apeiçoado, bonito. Ela retribuiu os olhares. Mas pensou que não adiantaria insistir na retribuição. Uma paquera no ônibus dificilmente renderia em algo.

Esqueceu dos olhares e voltou aos pensametos. Não tinha como fugir deles. Nem dos olhares do rapaz. Desistiu de pensar. Já tava cansada pras duas coisas.

Fechou os olhos, deitou a cabeça e deixou-se absorver por aquele momento.

De súbito todo aquele momento de transe foi interrompido pelas chamadas insistentes do uma voz masculina. Era o cobrador do ônibus lhe dizendo que chegara o ponto final, que dali iria para garagem.

Fim da viagem. Das duas. Da dela e do ônibus.


Tatiane.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Uma bagunça de vida


Ela lia um parágrafo do livro que dizia: "a organização de seu quarto reflete a sua vida".

Deitada na cama, o olhar não se conteve e correu por todo o quarto. Escrivaninha cheia de livros espalhados, prato e xícara da última refeição abandonados, e do outro lado, uma pilha de roupas sujas para lavar já alguns dias esperando para ir à maquina.


Verdade?



Olhe para os lados. Verifique se o parágrafo do livro é, realmente, verdadeiro. Eu digo que é.



Assim que terminou de girar a cabeça num ângulo de 90º, capaz de enxergar toda aquela bagunca, ela deu um pulo da cama, arrumou tudo, e sentiu-se mais leve.



Leve, leve, leve....





Tatiane.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Jesus por Genésio

Numa casa de calzone:

-Moça, por favor, um calzone de maracujá e um suco de camarão!

Atendente atônita deixou vazar um sorriso tímido no canto da boca e não conseguindo se controlar, aumentou o volume dos risos. A atendente do lado, que servia os sucos não perdeu a piada e largou uma risada frouxa.

Certa do equívoco cometido, tentei concertar:

-Ops, desculpe, um calzone de camarão e um suco de maracujá, sim! Hehehe ...



Mais uma pérola minha. Aliás, não vivo sem, né!?



Tatiane.

quinta-feira, 19 de março de 2009

O tempo escorre pelas mãos

(13:05) - Que vontade louca de te encontrar, dizer que te-amo, sentir o coração bater desconpassado, tentar disfarçar e não conseguir. (13:06) - Eu aqui tentando ser alguém melhor, querendo matar à base de facão os meus medos. Que medo, se sei que o céu o limite? Droga! (13:08) - Que é isso que estou escrevendo, heim?! (13:09) - Acho melhor colocar uma poesia que li naqueles papéis que colocam em cima da bandeja de alimentação do shopping e que achei o máximo. (13:10) - Segue ela: "Este teu jeito de cão sem dono/Deixa-me no cio./Tento não pensar, mas quero desgustar este teu corpo./Contactar o além e visitar o diabo, tocar nas estrelas e cultuar estes teus braços./Oh! Meu Deus, quero ser tua dona,/ Tirar-te dessa coleira e acorrentar-te,/Para sempre no meu coração. (Mery Speck Thiesen). (13:14) Atrevida essa Mery, né? Por isso adorei o que ela escreveu, acho que me identifiquei. (13:15) Queria que nem ela acorrentar alguém algora. Quem será que ela queria amarrar? Quem eu quero amarrar?(13:16) Que medo! O tempo está me chamando! Preciso ser o que querem que eu seja. Uma vencedora... (13:17) Querem que eu seja feliz, linda, tenha um namorado lindo e normal. (13:18) - Pior que eu também quero. Quero o que eles querem (13:19) O que eu quero? Ser feliz. Sou. (13:20) O tempo berrou comigo, vou lá fazer o que precisa ser feito. (13:21) (....) tic,tac,tic,tac(....)


Tatiane.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ah, a saudade...


Chega a ser piegas falar de saudade, todo mundo fala. Aliás, ultimamente as pessoas dizem que sentem saudade mesmo sem senti-la, assim como dizem "eu te-amo" a torto quanto é direito.

Mas saudade é um assunto eterno, universal, sempre atual.
Talvez hoje, eu tenha sentido muito saudade, por isso estou falando dela. Ah, Saudade....
Saudade daquilo que passou por mim tão rápido feito uma locomotiva e nem me deixou tempo de embarcar, para viajar junto e viver uma história que nem chegou existir.

Saudade de quem passou, atiçou minha alma e nem quis saber, fez por fazer, só pra viver o momento e deixou saudade... Uma saudade que durou mais tempo que o momento vivido.

Também sinto saudade daquilo que não vivi. Dos sonhos que criei, imaginei, fiz história, mas não chegou a se concretizar. Essa saudade dói mais. É o gostinho do que poderia ser e não foi. Essa é a minha saudade mais forte, hoje.

Tem que ter sido bom para deixar esse sentimento. Saudade só se sente daquilo que foi gostoso, do que fez bem. Já reparou como as pessoas insistem numa relacionamento que já acabou há tempo, que não existe mais, na esperança de viver o que foi bom? Elas vivem uma eterna saudade.

Tem saudade boa e saudade ruim. É boa quanto te faz feliz ao lembrar e nada mais. E tem aquela ruim, que te faz sofrer, pelo fato de não poder mais viver aquele momento. Hoje sinto um pouco de saudade boa, com uma pitada da ruim. Tô aprendendo com a vida que nem tudo pode ser na hora em que a gente quer.

Ah, Saudade, que nostalgia no meu semblante... Deixa eu vivê-la bem, agora, nesse exato momento eu a estou sentido...
Tatiane.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Cenas do cotidiano ilhéu





Realmente ela não sabia com quem estava falando. O jovem que recebia o decreto estarrecedor da mulher devia ter seus vinte e poucos anos e estava acompanhado de uma moça. Os dois vestiam calças pretas, os cabelos eram pretos e eles estavam carregando mochilas. Tinham um jeito difente, um estilo "alternativo" de se vestir, digamos.

Eles se encontravam na Casa da Memória, em Florianópolis. Digo que, sinceramente, o rapaz não esperava receber aquela resposta da mulher, não mesmo. Qualquer um, menos ele.

Ela foi enfática:

- Não é possível. Só em março. "Fulano de tal" está de licença-prêmio, ele é quem cuida de tudo relacionado ao Zininho*, e só volta mês que vem.

O garoto insistiu:

- Mas é para um trabalho que eu preciso entregar em março.

A mulher:

- Infelizmente, só em março, pois "Fulano de tal" trabalhou anos com o Zininho, e ele é que tem mais informações a passar.

Enquanto isso, eu fazia hora no local e lia uns livros esperando a chuva que molhava esta tarde, passar. Eu sabia quem era garoto, eu sabia com quem a mulher estava falando.

Voltando...

O garoto foi relutante, realmente ele precisava do material do Zininho:

- Olha, como pode isso?! Só em março? O lugar não pode parar de funcionar só porque o "Fulano de tal" está de férias. Eu conheço o "Fulano de tal".

Dessa vez ele preferiu ser mais direto:

- Eu conheço o "Fulano de tal" porque sou neto do Zininho!


Uma atmofesra de embaraço, por parte da mulher, tomou conta do cenário. Eu imediatamente parei de ler o livro que segurava.

- Ah, sim, claro, por isso mesmo, já que conheces ele, ele só volta em março. Mas posso te mostrar o acervo musical do seu avó, se você quiser, claro...


Nesse exato momento, a chuva deu uma trégua. Não quis que parecesse que estava prestando atenção na conversa deles. Me retirei do local. Agora, a mulher já sabia com quem estava falando.


Por curiosidade:

Cláudio Alvim Barbosa, o poeta Zininho, (Biguaçu, 8 de maio de 1929 — Florianópolis, 5 de setembro de 1998) foi um compositor brasileiro de música popular.

Nascido na localidade de Três Riachos, durante a infância viveu no Largo 13 de Maio (atual Praça Tancredo Neves), tendo o antigo casario da rua Menino Deus e o Hospital de Caridade como vizinhos. Sua adolescência foi no continente, no balneário do Estreito. Desde jovem, foi atraído por atividades radiofônicas. Trabalhou nas rádios Diário da Manhã e Guarujá, onde fez de tudo um pouco: cantor, rádio-ator, sonoplasta, técnico de som e produtor.

Foi nesta época de ouro do rádio, nas décadas de 1940 a 1960, que compôs mais de cem músicas, de marchinha a samba-canção. Destacam-se "A Rosa e o Jasmim", "Quem é que não chora", "Princesinha da Ilha" e o Rancho de Amor à Ilha, escolhido em 1965, através de um concurso, como hino oficial do município de Florianópolis.

Depois da manifestação de um enfisema, Zininho recolheu-se em seu apartamento, no bairro continental do Abraão. Sucumbiu à moléstia em 5 de setembro de 1998.

Foto do post: Casa da Mémoria de Florianopolis. A autoria do registro eu desconheço, catei pelos Google's da Vida.

Tatiane.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A culpa é minha


Eu procuro incessantemente disfarçar esse vazio que insiste em permanecer dentro de mim. Busco por algo que consiga, perfeitamente, se encaixar, feito peça de quebra-cabeça, nesse buraco, que aperta e amarga. Ele começa entre o peito e estende-se à cabeça, que por sua vez, não pára de pensar no que poderia ser. Depois segue para o estômago e aperta feito nó. Por último, segue concomitantemente pelo resto do corpo, me imobilizando, deixando-me parada, estagnada. Poderia ser diferente? Sim. Mas faltam-me forças, estou presa a esse vazio.

A peleja me deixou frágil. Tão frágil. Fui eu quem escolhi esse caminho, mas pensei que seria diferente. Minha própria verdade me traiu. Agora, busco em meio a entretenimentos, estudos e projetos de vida preencher, quem sabe, esse vazio, se é que existe algo que o preencha. Horas me disperso com algo que acontece ao meu redor. Iludo-me na esperança de que, talvez, esteja ali o que falta. Leio, penso, oro, procuro os amigos. Tento encontrar as respostas. Busco saber o que fiz, para entender o agora. Quero saber o que posso fazer. Ainda não sei. Quero acreditar que num passe de mágica algo vá me tirar desse amargo. Às vezes tento me agarrar ao passado, naquilo que foi bom. Mas, nem sempre o que foi bom é capaz de tirar o fel. E, realmente, não é.

O vazio, que vazio! Tentei fugir de ti. Foi pior. Agora tento de entender. Aprendi que vais sempre estar comigo. És do meu ser, fazes parte de mim. Descobri, agora, que não quero mais preenchê-lo. Procuro por algo que dê um colorido especial a minha vida. Que tempere e me faça rir à toa. Assim, será mais fácil continuar a busca pelas respostas, e torná-las reais.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Não sou de amores fugazes...


Nunca fui de amores efêmeros. Posso contar nos dedos, desde muleca, ao todo, foram cinco. Sou, como dizem, sonhadora e romântica. Minhas paixões sempre tiveram vida longa. Dei a devida atenção, toda vez que o meu coração bateu mais forte.

Amei cada um diferente, nenhum foi igual. Amei-os intensamente. Para falar a verdade, posso dizer, já sou expert, quando o assunto é decifrar corações.

Me permiti dar todas as chances a cada um. Não suporto pensar no que poderia ter sido se eu não tentasse. Mnhas paixões não foram mornas. Teve fagulha, farpa, carinho e esperança, decepção, separação e reencontro.

Cheguei a conclusão de que nunca gostei dos amores fáceis. Gosto daqueles que provocam cólicas, que deixam dúvidas e, que de repente, feito surpresa, vem afagando o coração te fazendo sentir amada. Não gosto da segurança, isso acomoda. Prefiro pensar que, amanhã, ele poderá não voltar. Isso me estimula. Eu torno atmosfera mais sedutora, sussurro as melhores palavras ao pé-do-ouvido. Eu amo mais, e intensamente.

Ninguém nunca entendeu o meu jeito de amar. Me pedem para não levar o amor tão a sério. Eles não entendem. Eu não levo a sério, eles é que levam. Eu acredito feito boba, eu vivo. Sou feliz por amar intensamente. Sou uma eterna apaixonada, não nego.

Na última vez, amei sozinha. E amei de verdade. Apostei minhas fichas quando me avisaram "sai fora dessa". Mas, não sou de amores fugazes. O coração havia batido forte outra vez, e tinha batido diferente. Ah, não podia perder. E se eu não tentar? Tentei... Paft!!! "Bem que me avisaram", lembrei.

Quem ama de verdade exala perfume, e quando ele sai de cena, o coração que tanto teve o aroma por perto, sente falta,ah se sente.

Daqui a pouco lá virá ele me pedindo amor...

Agora, o GPS está ligado. Procura-se uma paixão que faça bater forte um coração. E que bata diferente.

(Na próxima crônica prometo falar dos amores não correspondidos - desses eu também entendo bem)

Tatiane.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Natal, o Papai Noel


Poucas festividades possuem tanta magia quanto o Natal. Quando somos crianças tudo têm proporções gigantescas. Natal já foi bem mais suntuoso para mim do que é hoje. Lembro bem o quanto o vermelho com dourado me deixava fascinada. Eu viajava em meus pensamentos olhando a árvore de Natal, aquelas bolas coloridas, a musiquinha "dingo bel", o pisca-pisca colorido e o Papai Noel. Ah, o Papai Noel... Quantas vezes viajei até o Pólo Norte, voei junto às renas, entrei pelas chaminés e passeei pela Fábrica de Brinquedos...
Esperava anciosa o dia 25 de dezembro.
Queria a qualquer custo conhecer, ver de perto o velhinho que trazia os meus presentes, e que fazia parte quase que 24 horas por dia, nos mês de dezembro, do meu imaginário infantil. A minha mãe, como boa simuladora de Papai Noel que era, sempre, todos os anos, me mandava à padaria para comprar algo que faltava para o almoço natalino. Sempre faltava algo, e aqueles esquecimentos anuais sempre me deixavam braba. Por que ela sempre tinha que esquecer algo?
Ia correndo, eufórica, aos "trambulhão", para comprar o que havia me pedido, tudo para não perder a chegada do "bom velhinho". Queria dar um mega abraço, dizer o quanto tinha sido uma boa menina e, é claro, conferir a minha lista de presentes e confirmar se tudo que pedi estava dentro do saco.
Mas sempre que voltava da padaria o Papai Noel já tinha partido. Me deixava um recadinho: "Obedeça o vovô e a vovó, a mamãe e o papai, seja estudiosa, etc e tal". Ficava tão triste e frustada e dizia: "- Por que não fui mais rápida? Quase consegui ver o Papai Noel, quase...". Sempre ficava na esperança que no próximo ano eu conseguiria vê-lo.

Um dia, não me lembro exatamente quando, descobri que o tal Papai Noel não existia, que era minha mãe quem planejava tudo. Ah, se não me falha a memória foram minhas coleguinhas que descutiam entre sí e vieram me contar que ele não existia e que tudo não passava de uma armação dos nosso pais. Foi tão triste. Aí descobri que o coelhinho da Páscoa também era uma invenção. Acabou-se a magia, o colorido. Pra quê Natal se ele não existe? Quanta mentira e bobajada...

Até que descobri que o Natal, hoje, é uma data não tão religiosa, mas comercial. Descobri que o Papai Noel foi inspirado numa pessoa chamada São Nicolau Traumaturgo, acerbispo da cidade de Mira, na Lícia, no sudoeste da Ásia Menor (onde hoje se situa a Turquia). Que ele era uma pessoa bondosa ajudava os necessitados e depois de sua morte, várias milagres lhe foram atribuidos e que por isso ele foi elevado a categoria de santo. Descobri que sua vestimenta vermelha, preta e branca foi criação do cartunista Thomas Nast da revista Harper's Weeklys, em 1886, numa edição especial de Natal.
Descobri também que a Coca-Cola tratou de popularizar e difundir ainda mais essa figura lendária, se aproveitando do visual vermelho do velhinho para fazer alusão à garrafa do seu refrigerante.
Descobri, descobri e descobri. Cheguei a conclusão que o Natal é uma época repleta de interesses comerciais. E continua a ser. Mas, mais do que isso, algo "além" acontece e consegue transformar esse momento num clima diferente. As famílias arrumam um tempo para se reunir, afinal, Natal é Natal. O espírito de solidariedade, que às vezes não se manifestou o ano inteiro, agora aparece. Quantas cartinhas ao Papai Noel são adotadas? Só aqui em casa foram 10. O sentimento das pessoas inexplicavelmente brota. As palavras mais singelas e doces se manifestam em palavras e nos cartões de Natal. As pessoas se inspiram de tal forma, que nem elas se reconhecem. Os amigos secretos, em todos cantos acontecem, embalados em muitas risadas, abraços e felicitações de dias ainda melhores.

Algo mágico acontece. Os pensamentos vagueiam e se enchem de esperança.
Que o tempo não pára todo mundo sabe, mas nesses dias, até o dia 1° de janeiro, ele dá um tempo e, simplesmente pára. As baterias se recarregam e o ânimo vêm com tudo. Planejamos várias conquistas e sonhamos um mundo diferente. Planejamos um novo projeto de vida, ou então damos continuidado no que foi feito. Imaginamos um nova vida, ainda melhor. Para quem não acredita mais em Papai Noel, aviso que esse sim, é o verdadeiro espiríto de Natal: as energias bem canalizadas e as esperanças renovadas. Se você não tem isso ou perdeu, trate de pedir na sua próxima cartinha de Natal. O Papai Noel para mim, hoje, é esse sentimento bom que renasce dentro do coração.

Vou escrever minha cartinha e remetê-la ao Papai Noel que mora bem no Pólo Norte do meu 'cardealzinho' e nos meu pensamentos positivos. Afinal, nós é que somos o "bom velhinho". Então, eu desejo um belo Natal. Cheio de esperança e sentimentos. Que no último dia de 2008 esse sentimento se multiplique ainda mais e que você começe o ano com o pé direito, e com o pé esquerdo também, afinal, precisamos dos dois, não é?

BOAS FESTAS! FELIZ NATAL E ANO ANO!!! É O QUE DESEJO!!!

Tatiane.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De bar em bar, de mesa em mesa...


A dúvida pairava. Mal entrei no carro e a pergunta que não calava, era: "Onde nós vamos?"
Sexta- feira. Perguntinha desagrádavel, chata, que persistiu até o Kobrasol. Lá rodamos algumas vezes pela Av. Central, a Adhemar da Silva, Campinas, e nada de decisão. Se fosse há uns 2 anos atrás o motivo da nossa indecisão seria a falta de opções. Agora o motivo é bem diferente: as muitas opções.

Dentro do automóvel:

- E agora, meninas, já decidiram? - Perguntou a amiga que estava comandando a boléia, já meio impaciente.
-Ah, para mim tanto faz! - Respondeu, uma.
- Tanto faz não é resposta - Diz outra.

As opções atraentes era inúmeras. Começou pelo Dusk.
- Ah, Dusk de novo, não! Nem é pagode, hoje. Tens uns dois caras lá dentro parecendo a dupla Tony e Rony - Comenta uma.

Passamos pela Cachaçaria da Ilha. A casa parecia estar bombando. Mas passamos tão rápido com o carro pela frente que nem deu para ver direito. Alguém sugeriu: - Crystal Beer! O coro do 'cala a boca' para a sugestão foi bem alto: - Nãooooo!
Armazém. Nãoo. Álias. Também não. E agora?

Eis que surge nossa esperança. Uma barzinho novo com o cartaz de uma banda de pagode meio suspeita estampado bem na entrada. Várias mesinhas dentro. Um deck com várias mesinhas fora. Um grupo animado conversava.

Todas juntas, receosas: - Será?????

As opções, tantas, deixo-nos nessa amarga tarefa. "Qual barzinho iremos?" Ó vida! Ainda tinha aquele outro lugar, novo que abriu, e mais aquele outro, e mais outro. Não pára. Antes a reclamação era a falta de opção. Os baladeiros da região tinha que se contentar com o mísero, queimado e famigerado "Skala 2000", Big Portion (fim de carreira!) e um e outro barzinho pé-de-chinelo em uma das ruas do, hoje, badalado bairro.


Voltando:
O dono da casa percebeu a nossa inquietude e indecisão e veio até nossa direção. Não perdemos tempo: - Moço, como funciona aí hoje? O que rola?
-Pagode. R$10 a entrada e o valor é consumação... - Diz o o sorridente proprietário.
-E pra comer? Pergunta, uma mais faminta
A essa altura, todas já estavam sedentas e com a barriga roncando.
- Temos porções de camarão, lula, pastéizinhos, fritas, e ...
- Cheeeegaaa! Já nos convenceu moço. Vamos entrar!

Curtimos um bom pagode, bem variado. Os garotos tocaram de tudo. Do sertanejo universitário, ao mpb, tudo no ritmo do chocalho, cavaco e pandeiro. Depois rolou até Dj. Manda vir uma torre de chopp, e ganha uma bem servida porções de fritas.

O cotingente de novidades, casas noturnas e barzinhos pela região é tanto, que os mimos e agrados de alguns proprietários mais atentos com a concorrência e enpenhados em agradar, cativar o cliente é cada vez melhor.

Voltaremos, com certeza.


Tatiane.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Deixa a vida me levar, Tatiane Silva.




Leva eu vida?

Me desculpa aí, Zeca ! Mas sou obrigada a discordar quando você canta “deixa a vida me levar, vida leva eu...” Admiro os enredos dos seus sambas. Eles sempre conseguem retratar momentos do cotidiano vividos por nós trabalhares do batente, cheios de histórias e emoções, mas que se recusa (eu pelo menos) a deixar que a vida seja conduzida pelos outros.

Se deixasse a vida me levar estaria simplesmente assinando embaixo e confirmado: sou um fantoche de palhaço! É, sim! Deixar a vida conduzir sua história é pecado, é errado. É aceitar que os outros escrevam a história da sua vida. É você quem deve escrevê-la. Você é protagonista.

Não deixa a vida te levar, não. Leve você a vida. Leve na moral, no peito. É bem melhor. Só você e mais ninguém quer o melhor pra si e isso já garantirá uma história perfeita e feliz.

Estamos entrando no quesito destino. Esse papo gera polêmicas. Já fui bombardeada quando disse que não acreditava em destino. Não acredito, repito. E é por isso que discordo do Zeca.

Assumo que acredito só um pouquinho nele, assim: o dia que nascemos está marcado, bem como o dia da morte, as pessoas importantes que passarão em nossas vidas. Mas o resto é tudo escolha. A vida não leva ninguém, você é que a leva.

Que decepção, né? Esse refrão do samba do nosso ilustre Zeca já não irá produzir os mesmo efeitos....

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O CÉU E O INFERNO, Tatiane Silva.


Crescemos escutando todos dizerem que o Inferno é um lugar ruim. Eu discordo em partes. Como vou saber se estou no Céu se ainda nem conheci o Inferno? A mesma coisa eu digo: como saber se é feliz se ainda não sentiu o gosto amargo da tristeza. Difícil, né? Por isso posso dizer que, o inferno tem lá seu lado bom.
Pensa comigo. Este lugar assombroso serve de parâmetro. Se fizermos sempre o que é bom perde a graça, perde o sabor, ou seja, deixa de ser bom, entende?
Vou dar um exemplo: imagine se eu tomasse coca-cola todos os dias. Com certeza a pobre da pretinha perderia sua graça, seu valor. Não seria a mesma coisa como tomá-la só quando se pede uma pizza, ou se vai comer um cachorro-quente. A minha empolgação não seria mais a mesma diante dela. Imagine agora, de fato, se todos os dias fossem perfeitos? Iam se tomar dias insonsos, sem graça, pode apostar.
Já pensou se todos os dias fizessem sol, se todas as pessoas tivessem um ótimo humor ou se todas as músicas que tocassem na rádio fossem as suas preferidas? Se achamos o sol contagiante é por que conhecemos a chuva, se admiramos o bom humor devemos isso graças aos carrancudos. E viva as músicas chatas! Sem elas não nos empolgaríamos quando tocasse a nossa preferida.
Viu? O Inferno é bom e é o melhor caminho para se aproveitar o Céu.






quarta-feira, 21 de maio de 2008

O pão de cada dia, por Tati Silva



“Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E, no entanto, morre quem não come, e quem não come
O suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe permitido se defender” (Quem Se Defende – Bertold Brecht)


Andava rapidamente, quase que correndo. Tinha pressa. Não teria que chegar a lugar nenhum, até por que já estava em nenhum lugar. Não tinha rumo, mas sabia que tinha pressa. Aquela situação parecia incandescer o coração do pobre rapaz. Sem olhar para os olhos da garota, que parecia estar preocupada com o horário no ponto de ônibus, ele agiu. Igual um trem bala, o rapaz arrancou-lhe a bolsa e sumiu na primeira esquina.
Os gritos e o choro não tocaram o coração dele. Inconsolável e assustada a moça sentou-se na calçada não acreditando no que tinha lhe acontecido. Em menos de trinta segundos as pessoas começaram a surgir oferecendo apoio. Mas trinta segundos antes não tinha ninguém. É sempre assim!
O hábil e ligeiro rapaz já devia estar bem longe. Aquela situação parecia ser comum para ele. Afinal de contas, tudo foi feito com tanta naturalidade e frieza. Nem ao menos olhou nos olhos daquela garota.
Fico tentando adivinhar o que motivou aquele “foguete” - parecia de tão ligeiro - a fazer aquilo. Todos devem imaginar o pior do garoto. Mas o motivo que o levou a fazer fica por último diante de tanta indignação. Ontem, no ônibus do primeiro horário, quando me acomodei no assento e olhei na janela dei de cara com o rapaz. Assustei-me, pensei que ele agiria de novo, mas não. Ele trazia debaixo de um dos braços um saco de pão e um litro de leite. E no outro, pelas mãos, uma garota bonitinha, com o nariz todo sujo de ranho, que gritava miúdo chamando-o de papai.