quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Chá de erva-doce para São Pedro!

Querido, São Pedro, eu sei que você anda chateado. As coisas aqui na Terra não têm andado nos trilhos, mas pedimos muito a sua paciência e rogamo-lhes para que pare de chorar. Já entendemos o recado e prometemos melhorar! Peço para que deixes caixinha de lenço de lado e coloque um fim na sua tristeza. Se você não parar com esse 'piti' nervoso de chorar e chorar, não sabemos o que vai ser da gente.

Agora, deixando São Pedro um pouco de lado, para essa catástrofe que assola o estado de Santa Catarina, será que existe um culpado, que não seja São Pedro? A atenção da mídia na cobertura tá sendo louvável, diferente da vergonha sensacionalista que foi na no caso da adolescente Eloá, mas estou sentindo falta de explicações mais consistentes, para os 4 meses incessantes de chuva que ocorreu e ocorre no estado. Gostaria de entender o porquê desse fenômeno climático, afinal, 4 meses de chuva, é um acontecimento fora do comum. Desde que eu me entendo por gente, não me lembro de ter, por tanto tempo, visto tanta chuva. Isso é um acontecimento que tem origem em quê causas? Da natureza? Do homem? Os dois?
Minhas perguntas podem soar desnecessárias e imbecis num momento como esse, quando registra-se mais de 97 mortes, 19 desaparecidos, quase 79 mil desabrigados e seis munícipios isolados, mas, mesmo assim, a pergunta não quer calar. Procurei respostas pelo Google, mas não as encontrei.

Aproveito para fazer meu apelo às pessoas. Ajudem e colaborem com alimentos que possam ser consumidos instantâneamente. Roupas, calçados, colchões e doações em dinheiro também são bem-vindos.


É admirável ver o espírito de solidariedade que circunda o momento. Recebi um e-mail de uma colega que mobilizada, está arrecadando roupas e alimentos - bonito gesto. Soube também que algumas empresas, como a Eletrosul, entrou em contato com as prefeituras das cidades atingidas para viabilizar recursos a elas. No ônibus, escutei uma garota contando para sua colega que ia separar roupas e alimentos para doar. Tudo muito bonito, pena essa solidariedade se manifestar somente em momentos trágicos. Pena, mesmo!

Paz aos que se foram, conforto para os que ficaram e sofrem "a tragédia das águas".

Tatiane D. da Silva

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Chuva em Floripa


E a chuva não pára em Florianópolis.


Segundo major Márcio Luiz Alves, diretor da Defesa Civil, chove a mais de 15 semanas, o que não sobra tempo para absorção da água. (Fonte: Portal Terra).


Sapos, rãs , canoas e remos à vista.



A via crucis de que não chegou lá

Uma campanha política comparada à obra de caridade: “foi silenciosa, sem dinheiro e deu resultado”.

por Tatiane D. da Silva

Nas eleições municipais em Florianópolis, mais de 350 candidatos disputaram as 16 cadeiras da Câmara Municipal. No Partido dos Trabalhadores (PT) da capital, somente 19 concorreram. Desses, apenas o vereador Márcio de Souza, eleito pela quinta vez consecutiva, vai poder sentar-se ao lado dos outros parlamentares. Entre os 18 que não chegaram lá, está o fisioterapeuta Jean Ramos - com a inicial do nome “J” e não “G”, como gosta de brincar – que obteve 1.337 votos e foi o terceiro candidato mais votado do partido. Para ele, um resultado “fabuloso”, já que é marinheiro de primeira viagem na política.
Jean foi o candidato que apareceu na televisão no horário político, acompanhado pelo pai e o irmão, o saxofonista Giovanni de Luchi conhecido na cidade por animar festas e eventos sociais. O apelo lhe rendeu uma ‘notinha’ no jornal, com o título “Um candidato de família”, que guarda com cuidado dentro da carteira, dobrado em quatro partes.
Em março deste ano, enquanto lia o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Jean diz ter sido tomado por um sentimento inspirador, que o motivou a querer participar da política. Na mesma semana, Nildomar Freire, o “Nildão”, lhe telefonou convidando para assistir as prévias que escolheriam o candidato à Prefeitura de Florianópolis, pelo PT. No dia do evento, Luci Choinack, presidente do partido em Santa Catarina, fez um discurso que o inspirou ainda mais. Dizia que as pessoas precisam acreditar mais no ser humano, e que não deveriam permitir que correntes partidárias corrompidas influenciassem a vida das pessoas.
Assim que Nildão foi escolhido o mais novo candidato à prefeitura de Florianópolis, Jean o cumprimentou pela conquista e se ofereceu para concorrer à disputada vaga na câmara, pelo PT. Para que isso fosse possível, precisaria provar que tinha a representatividade de uma parcela da população. “A partir daí precisei reunir moradores do bairro onde moro e amigos para mostrar que eu tinha raiz na comunidade e poderia disputar as eleições”, conta.


Um caminho a seguir - Na pequena sala de uma clínica de fisioterapia, rodeada por uma academia de ginástica, piscina coberta e uma acolhedora varanda repleta de plantas, Jean aperta o play de um som portátil, e uma música instrumental, dessas para relaxamento, começa a tocar. O sotaque ‘mané’ na fala, não deixa dúvidas sobre sua origem. Nascido em Florianópolis e criado no bairro de Capoeiras, é lá que vive até hoje. Sua jornada de trabalho começa 8h da manhã e termina às 18h da noite. Na clínica onde trabalha como autônomo fatura em média R$600 por mês, e quando a “safra é boa”, consegue tirar R$1.500. Além da rotina de tentar recuperar a coluna dos pacientes através da Quiropraxia, Jean ministra palestras em diversos centros espíritas na cidade.
Um dos caminhos que percorreu durante a campanha para conquistar a simpatia dos eleitores foi o que levava até os fisioterapeutas, os doutrinários do Espiritismo e os idosos. Em 1993, enquanto conversava com dona França, já falecida, uma senhora que vivia no Lar dos Velhinhos de Zulma, em São José, prometeu a ela que estudaria fisioterapia somente para cuidar dos ‘velhinhos’. Nesse dia, decidiu que iria abandonar a profissão de técnico em eletrônica para se dedicar ao curso pré-vestibular e conseguir entrar na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).
Os motivos que levaram tomar essa decisão não foram poucos. Ele já viu médico prescrever remédio sem saber para que idoso estava receitando. Já viu filhos abandonarem a mãe e só reaparecerem para assinar o atestado de óbito e saber da herança. Esses, entre outros episódios, fizeram com que Jean se tornasse um fisioterapeuta especializado em Gerontologia, um campo que estuda os fenômenos do envelhecimento humano.



Liderando – Na universidade Jean liderou grupos. Foi um dos precursores do centro acadêmico de Fisioterapia que, segundo ele, conseguiu várias conquistas. Uma delas foi unir o curso de Educação Física junto à Fisioterapia, fazendo com que as duas colocassem fim a rivalidade que tinham, pois um achava que o outro tomava seu espaço no mercado de trabalho por atuarem em áreas afins. Também conseguiu com que toda a grade curricular fosse modificada. “O currículo estava muito ultrapassado. Fui de aluno em aluno saber o que eles queriam sugerir para a nova grade”, relembra.
Assim, como quase todo líder, Jean sofreu perseguições. No centro acadêmico, ele mobilizou os alunos da universidade para protestarem contra o reitor na época, Raimundo Zumblick, que segundo ele, tinha uma visão de ‘direita’, e intenções de privatizar a UDESC. Alguns professores sentiram-se ameaçados, pois a queda do reitor significava demissão de muitos deles. Jean chegou a receber telefonemas anônimos avisando para que parasse com o ‘agito’, se não correria o risco levar uma ‘surra’ na primeira esquina que passasse. A atuação do rapaz e a dos colegas chamou a atenção da senadora Ideli Salvati, na época deputada, que também brigava contra Zumblick, e o chamou para fazer parte do partido. Em 1998, Jean se filiou PT. Desde então, participa dos eventos e votações internas.



Briga pela vaga – “Olha, sou contra partidarizar o movimento espírita, mas você já parou para pensar quantos parlamentares são católicos, evangélicos , materialistas e ateus? Por isso sou favorável que a gente opte por candidatos que estejam mais afins com os nossos ideais da outrina Espírita. Comprometidos com o bem, a verdade, a justiça e a caridade. Então, por que não ter um representante espírita na câmara?”Este foi o argumento que Jean usou nos e-mails enviados aos membros do movimento espírita, para convencê-los de que merecia o voto. Da mesma forma, fez com os colegas de profissão da fisioterapia. E-mails para todos. Conforme os cálculos de Jean, Florianópolis tem 500 fisioterapeutas, mais os estudantes e 40 centros espíritas, com média de 80 participantes cada.
Apesar de animadora quantidade de possíveis eleitores a seu favor, conseguiu apenas 0,58% dos votos nas urnas. Segundo Jean, sua campanha foi a melhor no quesito ‘custo – beneficio’. Ele conta que viu candidato gastar R$150 mil e conseguir somente 700 votos. Outro, R$80 mil e 180 votos. Para os R$ 4 mil que investiu, Jean considera seu desempenho, bom. “Minha campanha foi barata e eficaz”, diz.
Ele prefere fazer sua campanha política sem dinheiro, sustentado apenas na dignidade. Explica que não quer dever nada a ninguém, diferente de muitos candidatos, que segundo conta, foram financiados pelo narcotráfico, maçonaria e indústria farmacêutica. “Quem entra com o ‘rabo preso’ não pode defender as suas idéias, e sim as de quem os financiou”, conta. O ex-candidato reforça sua posição, lembrando um momento da vida quando abandonou a função de técnico em eletrônica, onde ganhava bem, para se dedicar ao vestibular e conseguir estudar fisioterapia com a intenção de fazer algo que gostava e poder ajudar os idosos.



Aprendizado - Como trabalha o dia inteiro, Jean não teve o tempo que gostaria para se dedicar a sua campanha. Os momentos livres aos finais de semana aproveitava para comparecer à festas e eventos e angariar votos. O saldo que ficou dessas eleições, segundo Jean, foi o aprendizado com as experiências que viveu. Sendo o petista fiel que é, negou o convite para fazer parte de outros partidos que ficaram de olho no seu desempenho nas eleições.
O fracasso do PT das urnas - foi o 4º colocado entre os partidos – segundo Jean, se dá porque seus candidatos não possuem envolvimento com a comunidade. “O meu envolvimento comunitário provou isso nas urnas. O resultado é resposta de anos em trabalhos voluntários e de outras atividades que desenvolvi”, conta.
Para a próxima eleição municipal, Jean quer se preparar melhor. Vai organizar uma equipe de campanha para trabalhar com ele e vai procurar se envolver ainda mais nos trabalhos com a comunidade. “Para 2012, Jean é com ‘J’ e não ‘G’, não se esqueça”, brinca.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De bar em bar, de mesa em mesa...


A dúvida pairava. Mal entrei no carro e a pergunta que não calava, era: "Onde nós vamos?"
Sexta- feira. Perguntinha desagrádavel, chata, que persistiu até o Kobrasol. Lá rodamos algumas vezes pela Av. Central, a Adhemar da Silva, Campinas, e nada de decisão. Se fosse há uns 2 anos atrás o motivo da nossa indecisão seria a falta de opções. Agora o motivo é bem diferente: as muitas opções.

Dentro do automóvel:

- E agora, meninas, já decidiram? - Perguntou a amiga que estava comandando a boléia, já meio impaciente.
-Ah, para mim tanto faz! - Respondeu, uma.
- Tanto faz não é resposta - Diz outra.

As opções atraentes era inúmeras. Começou pelo Dusk.
- Ah, Dusk de novo, não! Nem é pagode, hoje. Tens uns dois caras lá dentro parecendo a dupla Tony e Rony - Comenta uma.

Passamos pela Cachaçaria da Ilha. A casa parecia estar bombando. Mas passamos tão rápido com o carro pela frente que nem deu para ver direito. Alguém sugeriu: - Crystal Beer! O coro do 'cala a boca' para a sugestão foi bem alto: - Nãooooo!
Armazém. Nãoo. Álias. Também não. E agora?

Eis que surge nossa esperança. Uma barzinho novo com o cartaz de uma banda de pagode meio suspeita estampado bem na entrada. Várias mesinhas dentro. Um deck com várias mesinhas fora. Um grupo animado conversava.

Todas juntas, receosas: - Será?????

As opções, tantas, deixo-nos nessa amarga tarefa. "Qual barzinho iremos?" Ó vida! Ainda tinha aquele outro lugar, novo que abriu, e mais aquele outro, e mais outro. Não pára. Antes a reclamação era a falta de opção. Os baladeiros da região tinha que se contentar com o mísero, queimado e famigerado "Skala 2000", Big Portion (fim de carreira!) e um e outro barzinho pé-de-chinelo em uma das ruas do, hoje, badalado bairro.


Voltando:
O dono da casa percebeu a nossa inquietude e indecisão e veio até nossa direção. Não perdemos tempo: - Moço, como funciona aí hoje? O que rola?
-Pagode. R$10 a entrada e o valor é consumação... - Diz o o sorridente proprietário.
-E pra comer? Pergunta, uma mais faminta
A essa altura, todas já estavam sedentas e com a barriga roncando.
- Temos porções de camarão, lula, pastéizinhos, fritas, e ...
- Cheeeegaaa! Já nos convenceu moço. Vamos entrar!

Curtimos um bom pagode, bem variado. Os garotos tocaram de tudo. Do sertanejo universitário, ao mpb, tudo no ritmo do chocalho, cavaco e pandeiro. Depois rolou até Dj. Manda vir uma torre de chopp, e ganha uma bem servida porções de fritas.

O cotingente de novidades, casas noturnas e barzinhos pela região é tanto, que os mimos e agrados de alguns proprietários mais atentos com a concorrência e enpenhados em agradar, cativar o cliente é cada vez melhor.

Voltaremos, com certeza.


Tatiane.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Os ladrões estão soltos



Ontem, enquanto eu saboreava meu almoço ao meio dia, por pouco não tive uma crise de risos ao ouvir na televisão, no jornal que passa nesse mesmo horário, "homem é preso vendendo cd's falsificados, e cliente que comprava os produtos também". A vontade súbita de rir foi anestesiada e sumiu por completo quando quando as imagens do trabalhador apareceram na tela.


O cidadão conta que tira por mês média de R$300 com as vendas dos cd's piratas. Fica lá, na lida todos os dias em frente ao camelódromo municipal de Fpolis. Quinta-feira, como de costume ele conversa com um interessado em comprar seus produtos. O sujeito de dentro do carro pega os cd's e começa a escolher quais levará para casa. De repente, eis que surge "os caras", a PM. Primeiro impulso? Jogar o material pra dentro do carro! O que acontece? Vai preso trabalhador. Vai preso o cliente. E o pior? O assunto ainda vira pauta no noticiário.


Essa situação me lembrou um tempo atrás, quando lá numa 'cidadezinha', que o nome agora me falta a memória, um pai vai preso por roubar no 'mercadinho' um pacote de bolacha para dar o que comer para o filho.


Enquanto a reportagem ia passando, me lembrei de um fato bem recente: as eleições. Não tive como não lembrar, um assunto me levou a outro. Enquanto trabalhador vai preso, por tentar ganhar alguns míseros reais por mês, o cara que rouba milhares de pessoas, rouba dinheiro meu, dinheiro seu, dinheiro nosso, estará acredite, a partir do início de janeiro de 2009, por mais 4 anos roubando, ops!, desculpe, quis dizer governando, nossa cidade. Que estarrecedor, né? E o pior é que ele foi escolhido pelo voto popular. O povo gosta de ladrões? Um simples 'clic' no Google, você consegue ler na íntegra as ações movidas contra o sujeito. Ainda assim, lá está ele.

Eu ouvi dizerem isso aqui: "ele rouba mas faz". Pior é que eu escutei isso de uma pessoa com acesso à internet e às informações. Quer dizer: eles sabem que são roubados e mesmo assim confiam num cara desse!


"Ai, Jesus, apague a luz! "


Quem vende produtos contrabandeados, segundo as leis, estaria lesando o estado, passando ele para trás. Por isso deve ser preso, certo? E quem rouba o erário, o que é? Será que aqui cabe a velha máxima "ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão"?


Perdão, então para o carinha que estava vendendo os cd's...


Enquanto isso, na sala de justiça: estão presos trabalhador que vendia cd's piratas e cliente que comprava o produto, e o cara de concha Mor livre mais 4 aninhos.


Tatiane.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Preguiça

Realmente, é o cúmulo da preguiça! Isso existe mesmo, gente? rsrs...
(foto pega na internet)

Ah, a preguiça.....

por Tatiane Silva

Hoje eu senti vontade de falar da preguiça. Por que será? É que ando com muita preguiça, mesmo. Essa danada consegue fazer com que muita coisa boa deixe de ser feita, produzida, inventada. Para ser bem sincera eu estou com a maior preguiça de escrever esse texto. Mas tenho que escrevê-lo, afinal de contas, escolhi viver disso.
A preguiça é algo que está incontido em boa parte das pessoas, aliás, arrisco dizer, que na maioria. Mas a preguiça não é culpa só dos preguiçosos, não! Olhe para os lados, olhe a nossa vida. Tudo muito fácil. Controle remoto, microondas, elevadores, carros, tudo para deixar as coisas mais cômodas para nós. Inclusive pensar. Ah, pensar dá uma preguiça. A internet ajudou-nos a deixar mais preguiçosos. Com seu mundo de informações apenas num clic, temos o que quiser. O trabalho está pronto para ser entregue. É assim, simples. Pouparam a gente de pensar. É, de pensar! Estamos nos esquecendo disso.
Os poucos que resolveram botar a cuca para funcionar, estão aí, ganhando dinheiro, sendo reconhecidos, aproveitando-se da nossa preguiça. A preguiça é falta de confiança. Experimente pedir algo para alguém com disponibilidade de tempo. Depois peça a mesma coisa para uma pessoa ocupadíssima. Vejamos quem chega primeiro com a tarefa cumprida. Você adivinha? Aproveite para pensar....
Muitos acham que, apenas cumprir sua obrigação, está mais do que ótimo. Puro engano. Eles sentem no fundo inveja. Sim, inveja. O ser humano é um ser incessante, nunca está satisfeito. Os psicólogos e psicanalistas confirmam: o ser humano nasce com vazio que nunca é preenchido. Todos gostariam de fazer algo a mais, mas, a preguiça não deixa. É interessante para muitos que sejamos assim. Enquanto uns estão no topo, os preguiçosos continuam achando que o destino é triste mesmo e que tudo é culpa do governo, reclamam da falta de oportunidade. Arrumam justificativas para tudo!
A preguiça é boa. Mas nas férias. Serve para revitalizar-se, descansar a alma e a mente.
Bom, não estou conseguindo achar um desfecho para finalizar esse texto (A preguiça). Sinta-se a vontade para comentar. Preciso sair. Tenho uma entrevista para meu trabalho de conclusão de curso para fazer. Vou logo, antes que a preguiça não me deixe sair daqui.


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Projeciologia




Na busca da evolução para ser 100% Serenão
Tatiane D. da Silva

Os mistérios da humanidade ainda são muitos. Até as perguntas mais banais, como, “de onde viemos e para onde vamos?” possui inúmeras respostas e, nenhum consenso. Muitos partiram deste plano e ficaram com as indagações no ar, mas antes que isso ocorra de novo, um grupo se reuniu em plena sexta-feira, às oito horas da noite no Edifício Maxim’s, no centro de Florianópolis em busca de um objetivo: a evolução humana, e as respostas para os enigmas que permeiam este universo.
Das quinze pessoas que ali se encontravam, seis contaram experiências que tinham em comum: um dizia que na noite em que adormecera na fazenda, um zumbido começou a ecoar em seus ouvidos e sentira seu espírito descolando do corpo. Assustou-se. Abriu os olhos, estava suado e não sabia direito o que tinha lhe acontecido. Já uma mulher, sentada na primeira fileira, contou que isso quase sempre acontece com ela, mas como tem medo, nunca deu tempo de saber o que ocorreria se deixasse seu espírito se desprender do corpo.
Papo de maluco? De místicos ou religiosos? Talvez. Mas a ciência já tem um nome para isso: Projeciologia.
O grupo estava reunido no Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC), um órgão científico que se propõe a estudar e, quem sabe, desvendar os mistérios destes fenômenos, entre outros tantos que a ciência possui.

A viagem fora do corpo - Quantas vezes você desejou que o dia tivesse 48 horas? Ou disse que, se ganhasse uma bolada em dinheiro viajaria o mundo inteiro? Aposto que, além destes, você tem outros desejos adormecidos, esperando somente um milagre para realizá-los, não é? Prepara-se: você e qualquer um podem realizar tudo isso, utilizando as técnicas do Projeciologia. Mas, para isso, alguns precisarão de muito treino, aprender as técnicas e estudar o assunto, já outros, acredite, conseguem esta proeza involuntariamente.
A ciência tem se debruçado em estudos e pesquisas para mostrar os benefícios da Projeção Astral. Uma das bandeiras defendidas pelos cientistas é de que a projeção não é um acontecimento religioso, mas, um fenômeno da parapsicologia.
O professor Waldo Vieira é referência neste assunto. Figura incomum, Waldo possui uma longa barba branca, costuma usar roupas claras e seu olhar hipnótico parece enxergar coisas que ninguém vê. Ele é autor dos três chulhamaços – tratados – que discorrem sobre a Projeciologia. Um deles (ver foto), possui mais de mil páginas.
Aos nove anos de idade, já experimentava as vivências extras físicas. O seu livro Diário de Experiências Fora do Corpo registra seus vários experimentos.
O fenômeno extra físico ocorre quando a pessoa está dormindo. A consciência, que segundo a ciência é uma energia única, que não morre e passa por diversos corpos, se projeta para fora do corpo rumo ao Plano Astral, enquanto o cérebro e o corpo repousam tranquilamente na cama do quarto. A viagem é feita pelo mundo das energias, e o único detalhe que os prende entre o plano material e o astral é um apêndice energético, chamado Cordão de Prata, que controla a consciência para onde ela for. Nesse caminho, segundo Paulo Vieira, coordenador do IIPC em Florianópolis, você pode esbarrar com várias outras consciências, projetadas ou não. Essas consciências podem ser pessoas que já se foram ou que ainda estão vivas. “Não é um fenômeno fácil, requer muito esforço”, explica.
Vieira conta que quando a pessoa chegar ao estágio 100% evolutivo, o Serenão (termo criado por Waldo Vieira), conseguirá remover, se assim quiser, as mazelas energéticas de uma América inteira, e não será preciso se projetar, já que esta capacidade é na verdade, algo inerente do ser humano. Se isso se realizar, ninguém mais precisará do corpo físico, porque o estado de consciência será tão evoluído que não será mais preciso do corpo, somente as forças energéticas para viver.

Medo da Morte - É no plano astral que a consciência ou espírito, como preferir, vai recarregar suas baterias, enquanto o corpo físico já faz isso durando o sono. É lá que, se a pessoa quiser, poderá ajudar energeticamente um amigo, namorado, ou quem estiver precisando. Além da evolução humana que tanto almejam, os cientistas que estudam as viagens fora do corpo são ainda mais pragmáticos quando dizem que os benefícios da projeciologia conferem aquele que a adere à perda do medo da morte. Outro beneficio é a otimização do tempo, porque enquanto o corpo dorme, a consciência poderá estar fazendo mil coisas, e também dando assistência as outras consciências. “Só ajudando o próximo é que se consegue, de fato, a verdadeira evolução”, defende Paulo. O objetivo dos estudos, segundo Paulo, é tornar as pessoas o mais independentes possível no processo evolutivo. A ciência quer que o indivíduo por ele próprio consiga tomar as rédeas da sua vida, e assim viver melhor.

Desde que o mundo é mundo - Todos os grupos têm algo a falar da Projeciologia, afinal de contas, o que tem em comum entre as religiões e a ciência é que o fenômeno existe de fato, mas, existem maneiras diferentes de encarar este evento. Paulo Battistella, professor do IIPC, explica que as religiões trabalham com a questão do dogma. Ou seja, o que eles pregam é uma verdade absoluta e não pode ser contestada. Para a ciência o que agora é uma verdade, amanhã poderá não ser. “Hoje eu posso te dizer que a projeção consciente todo mundo pode fazer, amanha já não”.

A viagem pelos tempos – Guerra Fria. O caos que acontecera depois na Segunda Guerra Mundial, dera origem à outro confronto , só que sem armas.
Paulo Battistella conta que nesse período não se falava em projeção, no entanto a Rússia e os EUA utilizavam das técnicas do parapsiquismo para obter informações do país inimigo. Nesse caso, os benefícios da projeciologia não eram utilizados por uma boa causa.
O acesso às informações que estão disponíveis somente no plano astral e não no físico, é uma maneira eficiente de evolução humana. E nesse sentido, o espiritismo, que chama esse acontecimento de Transe Mediúnico concorda com a ciência. “O fenômeno facilita a comunicação mediúnica, permite conversar com outras almas, e ter acesso às informações daquele plano”, explica Danilo Félix, administrador da Federação Catarinense Espírita, que fica em Florianópolis. Ele alerta para o uso consciencioso do fenômeno. Se mal utilizado pode acarretar prejuízos sérios para as pessoas, já que nessa exteriorização do espírito a pessoa pode esbarrar com almas mal intecionadas.

Perseguição - Otimizar o tempo, se apropriar de informações do “Além”, ajudar os outros, evoluir o ser... Não importa, desde que existe vida na terra, lá no tempo das cavernas o homem já se utilizava as técnicas projetivas para alguns fins. “Em todos os tempos, sempre houve uma necessidade para isso”, diz Battistella.
Mas nem sempre foi permitido utilizar os recursos da projeção. O período de Caças às Bruxas que começou no final da Idade Média e teve seu apogeu na Idade Moderna não deixou a fenômeno se expandir. Neste período, seitas secretas foram criadas, para poder realizar essa pratica sem serem perseguidos. O receio que as pessoas têm para falar de suas experiências no plano astral, talvez derive daí. “Foi criado todo um misticismo em torno do tema, e isso se dá por causa do processo histórico vivido através dos tempos”, conta Battistella.

Sonhos versus Viagem Astral - O fenômeno tem sua complexidade e assusta quem se interessa pelo assunto ou já viveu a experiência.
A senhora que sentava no fundo da sala, durante a palestra no IIPC, na sexta-feira à noite, revelou sentir-se insegura na sua vivência com a projeciologia. Há anos ela estuda o fenômeno utilizando o autodidatismo com os livros para entender o assunto. Já vivera o feito diversas vezes, mas sempre escondeu de todos, pois sentira vergonha e medo de ser taxada de louca. Com Denise Basílio ocorreu algo parecido. Depois de tempos utilizando as técnicas da projeção para conseguir fazer a viagem, e sem nenhum sucesso, o fenômeno aconteceu num dia em que ela não esperava. Diz que chegou a ver seu corpo, mas sentiu medo e acordou. Não sabia dizer se era sonho ou não. Passou a noite em claro com a televisão acesa, com medo de que acontecesse de novo. Só depois de buscar informações sobre o assunto parou de sentir medo.
É bom esclarecer alguns detalhes: A viagem astral não se trata de um sonho. A diferença está em que o sonho realiza-se dentro da consciência do indivíduo. A pessoa somente assiste a um mero personagem no cenário do sonho. Já na projeção a pessoa tem a consciência de que está fora do corpo e tem o livre arbítrio de conduzir a história e fazer o que bem quiser.
A psicóloga Ana Pozza passou por algumas experiências da projeção. Ela afirma ter conhecido sua filha antes mesmo de saber que estava grávida e também já participou de palestras no “Além”. Quando conheceu sua filha, ela vinha correndo em sua direção e gritava “o que está acontecendo?”. Já na palestra, ela conta que uma mulher a ensinava ativar alguns pontos dos chakras, utilizando técnicas de respiração. A outra experiência que teve Ana se emociona ao relembrar -“Vão achar que é coisa de maluco, mas é verdade”- foi quando sentiu seu corpo em outra órbita do planeta. De repente, alguém lhe deu uma foto com imagens planetárias, e foi orientada a olhar fixamente para ela. Subitamente sentiu-se mergulhada no universo.
Apesar de todas essas experiências e de ser psicóloga, Ana explica que as projeções ainda não são objetos de pesquisa da psicologia. A área ainda encontra-se num paradigma conceitual à cerca do tema. Apesar de antigo, o fenômeno está passando por fase de estudos, e a psicologia precisa se basear em fatos comprovados, explica ela.
Quanto aos fatos que a psicologia se refere, o IIPC tem cuidado ao se posicionar em torno das outras áreas de estudos que ainda vêem a projeção com desconfiança. Numa placa logo na entrada da escola do IIPC, um cartaz que contêm os seguintes dizeres: “Não acredite em nada. Nem mesmo no que lhe informarem aqui no IIPC. Experimente. Tenha suas experiências pessoais”.
Se a Viagem Astral, o Transe Mediúnico ou a Projeciologia existem ou não, não se sabe com propriedade. O fato é que ambas as áreas de estudos concordam num ponto: o fenômeno existe, não importa o nome que se dê à ele. Outro pronto em comum é que ele ajuda, e muito, o processo evolutivo do ser humano. Aprender a utilizar os recursos desse fato para beneficio próprio e dos outros depende de esforço, estudo e muita cautela.
É, tornar-se 100% Serenão ou um ser mais evoluído não é fácil, mas enquanto isso que tal aproveitar para fazer uma viagem ao Himalaia, ou participar daquela palestra que tanto deseja, mas não sobra tempo, fazendo um passeio no plano astral?